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A oração não é incondicional

A oração não é incondicional

A oração é condicional pelo fato de precisar ser consistente com a vontade de Deus.

 

(Martin Johann Schmidt (1718-1801), “Cristo no Monte das Oliveiras”)

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9 de outubro de 2018 (Dave Armstrong)

01 de novembro de 2018 (Tradução de Bruno Menezes)

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Matheus 21:21 Jesus respondeu-lhes: “Em verdade, vos digo: se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que fiz com a figueira, mas também, se disserdes a esta montanha: ‘Arranca-te daí e joga-te no mar’, acontecerá.

Marcos 11:24 Por isso, vos digo: tudo o que pedirdes na oração, crede que já o recebestes, e vos será concedido.

João 16: 23-24 Naquele dia, não me perguntareis mais nada. Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará.

Até agora, não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.

 

Passagens como essas levaram polemistas ateus e anticristãos a afirmarem que toda oração (supostamente de acordo com a Bíblia) é incondicional. E de fato, mesmo entre cristãos, existe uma crença falsa chamada “evangelho da prosperidade” ou “peça e receba” através da qual o crente pode ter o que quer que ele peça, contanto que ele use um mínimo de fé.

Ambos os grupos apresentam uma visão simplista e ingênua. A doutrina bíblica (no tocante à oração ou a qualquer outra coisa) deve ser determinada considerando-se todas as passagens relevantes juntas.

A oração é condicional pelo fato de precisar ser consistente com a vontade de Deus. Então se nós rezamos (para usar um exemplo extremo) para que um vizinho complicado seja abatido e não possa mais falar ou andar, isso não estaria na vontade de Deus e Deus não responderia a essa oração.

Até algo não imediatamente imoral ou amoral não está necessariamente dentro da vontade de Deus, porque Ele sabe tudo e pode ver aonde as coisas podem levar; assim, podendo recusar alguns pedidos. Quando Jesus diz “pedi e recebereis”, etc., diz isso num sentido proverbial familiar hebraico, que quer dizer [que é algo] “geralmente verdadeiro, mas admite exceções”.

A Bíblia claramente coloca várias condições para que orações sejam aceitas:

I João 5: 14 E esta é a confiança que temos em Deus: se lhe pedimos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.

Tiago 4:3 Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois o que pedis, só quereis esbanjá-lo nos vossos prazeres.

Tiago 1:7-8 Não pense, portanto, tal homem que alcançará alguma coisa do Senhor, [8] pois é um homem irresoluto, inconstante em todo o seu proceder.

Tiago 5:16 . . . A oração do justo tem grande eficácia.

Hebreus 10:22 acheguemo-nos a ele com coração sincero, com plena firmeza da fé, o mais íntimo da alma isento de toda mácula de pecado e o corpo lavado com a água purificadora (do batismo).

Salmo 66:18 Se eu intentasse no coração o mal, não me teria ouvido o Senhor.

Provérbios 15:8 Os sacrifícios dos pérfidos são abominação para o Senhor, a oração dos homens retos lhe é agradável.

 

Isaías 1:15  Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os meus olhos, quando multiplicais vossas preces, não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue,

Isaías 59:2 são vossos pecados que colocaram uma barreira entre vós e vosso Deus. Vossas faltas são o motivo pelo qual a Face se oculta para não vos ouvir,

 

Mesmo a oração peticionária de São Paulo foi expressamente recusada por Deus:

II Coríntios 12:7-9 [7] E para que a grandeza das revelações não me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me esbofetear, a fim de que eu não me torne orgulhoso. [8] A esse respeito, roguei três vezes ao Senhor que ficasse longe de mim. [9] Mas o Senhor disse- me: “Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente”. Por isso, de bom grado, me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim;

 

Muitos eruditos bíblicos são da opinião de que o “espinho” era uma doença ocular de algum tipo.

O profeta Jonas rezou para que Deus lhe tirasse a vida (Jonas 4:3): “Agora, Senhor, toma a minha alma, porque me é melhor a morte que a vida”. Deus obviamente não cumpriu o pedido, e repreendeu Jonas por sua raiva (cf. 4:4,9). O profeta Ezequiel fez o mesmo (I Reis 19:4): “Basta, Senhor, disse ele, tirai-me a vida”. Deus tinha outros planos, como a passagem inteira mostra. Se nós rezamos de maneira estúpida, Deus não nos responde. Ele sabe melhor do que nós.

Jesus também conta a história (e não parábola, já que elas não têm nomes próprios) em Lucas 16 de Lázaro e o homem rico, em que duas orações peticionárias (com efeito, orações: 16:24, 27-28, 30) para Abraão e são recusadas (16:25-26, 29, 31). Já que Jesus está ensinando princípios teológicos ou verdades, por meio da história, então segue-se que essa é a opinião dEle também: as orações nem sempre são aceitas. Elas precisam estar de acordo com a vontade de Deus.

O mesmo princípio também se aplica à adoração, que Deus não receberá se não for ofertada com sinceridade e na ausência de pecados sérios:

Amós 5:14, 21-24 [14] Buscai o bem e não o mal, e vivereis, e o Senhor Deus dos exércitos estará convosco, como o dizeis.

[21] Aborreço vossas festas, elas me desgostam, não sinto gosto algum em vossos cultos, [22] quando me ofereceis holocaustos e ofertas, não encontro neles prazer algum, e não faço caso de vossos sacrifícios e animais cevados. [23] Longe de mim o ruído de vossos cânticos, não quero mais ouvir a música de vossas harpas, [24] mas, antes, que jorre a eqüidade como uma fonte e a justiça como torrente que não seca.

Provérbios 21:27 O sacrifício dos ímpios é abominável, mormente quando o oferecem com má intenção.

Quando Seu povo obedecia Seus mandamentos, no entanto, Deus ficava contente com os mesmos sacrifícios (veja por exemplo Is 56:6-7; Jer 17:24-26; Mal 1:11: “uma oferta pura”; e muitos outros).

 

 

Post original:

 

http://www.ncregister.com/blog/darmstrong/biblical-prayer-is-conditional-not-solely-based-on-faith

 

Bruno Menezes
Bruno Menezes

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