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Coronavírus e lepra espiritual

Na Roma do século VI, o Papa São Gregório Magno (540-604), Doutor da Igreja e eleito Sumo Pontífice por aclamação de clero, povo e senado, foi escolhido pela Providência para enfrentar uma terrível praga que acometeu o povo italiano.

Os monges beneditinos lançavam-se à evangelização do mundo. A Itália, sabemos, enfrentava, além de graves problemas sociais – inundação do Tibre, fome, celeiros devastados -, a ameaça severíssima dos lombardos e suas entranhadas lutas contra os bizantinos (Gregório chegou a libertar a Cidade Eterna dos assédios de Ariulfo e Agilulfo), quando sobreveio a luesinguinaria, epidemia alastrada por vasto território que, chegando a Roma, vitimou inclusive o antecessor de Gregório, o Papa Pelágio II, em 590.

Certamente inspirado em Gallus, bispo de Clermont (Gália), que em 543 liderou o povo em súplicas a fim de que Deus lhes afastasse a peste (muito mais avassaladora que o atual Coronavírus, diga-se), bem como no Rei Davi, face àquele cenário desolador, o infatigável S. Gregório não esmoreceu: ofereceu e pediu preces, jejuns, Sacramentos e sete litanias que, oriundas de sete bairros de Roma, encontrar-se-iam em Santa Maria Maior, implorando o perdão dos pecados e granjeando, assim, a cessação da praga. Por fim, chegando à ponte que dava no túmulo de Adriano, o Santo ergueu os olhos e viu, na cúpula do Castellum Crescentii, um anjo embainhando a espada. Era o fim daquela calamidade.

Séculos mais tarde, em 1576, outra terrível peste colheu Milão e espalhou uma multidão de doentes. Após dois meses dos primeiros casos, 6000 pessoas haviam morrido somente na cidade. Desponta então mais um herói da fé: sobrinho de Pio IV (1559-1565), o bispo Carlos Borromeu (1538-1584) permaneceu com seu clero na cidade (conquanto não desprezasse justas medidas profiláticas, pois, segundo se diz, manteve preservados alguns sacerdotes), indo às ruas e socorrendo os desvalidos, seja despendendo o que pôde materialmente, seja (sobretudo) prodigalizando os tesouros espirituais da Providência. Celebraram-se três procissões para alcançar de Deus a misericórdia, comunicadas pelas indulgências obtidas por ele do Papa Gregório XIII, nas quais o bispo, encapuzado, peregrinou descalço e de corda ao pescoço. Mais de uma centena de seus sacerdotes contraiu a praga no zelo pelos enfermos.

Dentre outras obras, Borromeu criou refúgios para prostitutas arrependidas e jovens sob risco de lançar-se à prostituição (lares Santa Maria Madalena e Santa Catarina), orfanatos e institutos para meninos de rua, albergues, hospitais, refeitórios e uma como que congregação para as viúvas. O amor empenhado pelo arcebispo de Milão foi descrito em detalhes por Carlo Bascapè (1550-1815), seu primeiro biógrafo.

Tal caridade provinha não de simples sentimento humanitário, de pura filantropia ou humanismo, mas das contemplações a que se abandonava diariamente e de uma firme devoção aos anjos de Deus. Para suplantar a praga, Borromeu (como Gregório) confiou no poder das súplicas públicas e privadas dirigidas ao Senhor. Conforme explica Roberto de Mattei, o santo estava convencido: aquele era um “flagelo enviado do Céu” em razão dos pecados do povo, e São Carlos desatou reprimendas às autoridades civis por estas desprezarem os recursos espirituais e valorizarem os meios meramente humanos: “Não haviam proibido as reuniões piedosas e procissões durante o tempo de Jubileu? Ele estava convencido de que essas eram as causas da punição” (Chanoine Charles Sylvain, Histoire de Saint Charles Borromée, Desclée de Brouwer, Lille 1884, vol. II, p. 135).           
            Os Evangelhos nos mostram S. Pedro tentando, com seu Mestre, caminhar sobre as águas, mas soçobrando por haver “desviado o olhar” de Cristo, ter olhado para o vento. Seu sucessor, S. Gregório, durante a epidemia não incidiu, digamos, no mesmo: fitou a Eternidade, pois, até durante a praga, sua preocupação era sobretudo com as almas, com o triunfo da fé católica sobre a heresia e o paganismo; como as mortes eram demasiado repentinas (durante uma procissão oitenta pessoas caíram fulminadas), enfatizou a necessidade da conversão (Lester K. Little, Plague and the End of Antiquity: The Pandemic of 541-750, New York: Cambridge U. Press, p. 11); o arcebispo milanês, da mesma forma, preocupou-se sobremodo com a “lepra espiritual” que assolara o rebanho.     

Ambos os santos não se apressaram, como tristemente certos prelados hoje o fazem por ocasião do Covid-19, a descartar a hipótese de que o Senhor pode desse modo ensinar, com Sua mão poderosa, aos quais deu a vida – sem prejuízo das razões naturais dos fenômenos: não é Deus também o Criador e mantenedor da natureza? Qual o irracionalismo na ideia de que Deus se serve de causas segundas e naturais no cumprimento de Sua prodigiosa Vontade? Lembra De Mattei que Deus, como um pai,  castiga – até por subtração, diz São Bernardino de Siena. Tenhamos claro: se até nós amorosamente castigamos os nossos filhos, no intento de que não se percam, por que não poderia Deus assim fazer aos seus pelo motivo superior da salvação das almas? Sim, Ele corrige. E quem o diz? Os demais santos e Doutores: Santo Tomás (Sum. Theo.,II-II, q. 108), São Bernardo (Serm. 42, in Cant), Santo Afonso de Ligório (“É desgraçado aquele que não é castigado por Deus neste mundo”, Sermão sobre a utilidade das tribulações, 10), o Apóstolo (“A Domino corripimur, ut non cum hoc mundo damnemur”, I Cor. XI, 32), etc. Quem enim diigit Dominus castigat, flagellat autem omnem filium quem recipit (Hebr. XII, 6). O Senhor castiga a quem ama, e a distinção entre simples vingança e castigo é a pureza de intenção daquele que pune. É grave o desconhecimento dessa verdade neste instante, porque, se a ignorarmos, perderemos oportunidade ímpar de conversão, desprezando a voz do Pastor a gritar nos acontecimentos.

Grande parte da hierarquia atual, varada de modernismo, no entanto, capitulou. A adaptação às categorias filosófico-teológicas modernas tornou-se regra nos seminários. O temor da possível ridicularização (sobre a qual pronunciou-se Bento XVI durante a vigília pela beatificação do Cardeal Newman, em 2010), mormente em tempos de redes sociais, pela atribuição da peste global aos desígnios da Providência, constitui mais um episódio da mordaça autoimposta da newspeak relativista: se não podemos dizer o que pensamos, falar de fé sem nos curvar ao linguajar materialista de um mundo ímpio, logo deixaremos de pensar no que não podemos dizer, abdicando da pregação da verdade para, em seguida, abandonarmo-nos ao veneno do indiferentismo.         

Em geral, tais prelados são zelosos em obedecer à risca aos ditames das instituições civis e dos organismos governamentais quando estes trabalham contra a fé. Mostram-se os mais implacáveis, chama atenção Mauro Faverzini em Corrispondenza Romana, contra os fiéis “rigoristas e fariseus” que lhes solicitam a água viva da Sã Doutrina. Sedizentes católicos, esses liberais vivem de aguardar “lacunas” nas recomendações da Igreja e de afetar algumas palavras de fé para a manutenção das aparências.

Renunciando na prática ao seu posto de Mãe, Mestra e custódia do direito dos povos (Pio XI, Ubi Arcano Dei, 1922), a Igreja assim entendida não tem se colocado senão como mais uma “manifestação cultural” entre as demais, impregnando-se mais e mais do caldo pós-moderno dos “valores” (abstratíssimos, fantasmagóricos) de civilidade e fraternidade universais da sociedade laica. Mas se a paz não se funda em Cristo, vã será; assim também o amor pelos irmãos. E o mundo contemporâneo, porque devedor da modernidade, baseia-se em contrafações das virtudes cristãs, simulacros mal-acabados (os ditos valores)e sem fundamento destas. Conforme recentemente denunciou Mons. Giampaolo Crepaldi, arcebispo de Trieste, a crise do Coronavírus tem revelado, por exemplo, a artificialidade da União Europeia. Face à pandemia, cada estado se fechou em si mesmo e a ausência de coesão moral não foi compensada pela coesão institucional e política. É a misericórdia do mundo?

Sem arriscar um juízo acerca da suspensão temporária das missas públicas por parte do episcopado (afigura-se difícil um exame prudencial de tudo neste momento, pois há, a um só tempo, necessidade de isolamento e de continuidade da atividade produtiva dos países), é preocupante a legitimação sem peias das ações de autoridades estatais a impor pesadas sanções às igrejas em caso de descumprimento das mesmas suspensões, porquanto não se trata do poder de controle provocado pelos eclesiásticos – ou seja,o daquela autoridade que legitimamente age em resposta às exigências da Igreja -, mas do contrário. O estado não deve julgar a Igreja, mas ser julgado por ela; e não se pode descartar o possível alvorecer, com o Coronavírus, de uma ditadura sanitária mundial, lembra Mons. Athanasius Schneider. Se grande parte da hierarquia católica estivesse insubmissa ao privatismo liberal da religião tão em voga, tampouco esperaria benevolência da Cidade dos Homens, como se esta fosse reconhecer aos cidadãos em tempos de coerção legal (?) não apenas o direito de buscar bens essenciais à saúde (ida às farmácias e mercados), e sim também o direito aos bens essenciais à existência (os Sacramentos, a assistência espiritual).

Embora ainda pouco saibamos de certeza sobre o panorama ensejado pelo Covid-19, estejamos atentos: não seria a primeira vez que César tentaria destronar a Cristo.

Papa Francisco canonizará John Henry Newman

O Vaticano anuncia grandes avanços na causa do famoso teólogo inglês do século XIX e converso do anglicanismo.

O Bem-Aventurado Cardeal John Henry Newman está para ser canonizado após um anúncio do Vaticano. Nesta quarta-feira, o Papa formalmente aprovou um milagre atribuído à sua intercessão

O oratoriano padre Ignatius Harrison, postulador pela causa do Bem-aventurado John Henry, disse ao Register no dia 13 de fevereiro que ouviu a notícia “com enorme júbilo”.

Todo mundo no Oratório de Birmingham, que o Cardeal Newman fundou, está “absolutamente feliz pelo reconhecimento de sua heroica santidade”, disse padre Harrison, “e esperamos por muitas outras graças com sua intercessão”.

O decreto papal surge depois que o Vaticano julgou, no ano passado, a cura de uma mulher como milagrosa.

O caso está relacionado a uma graduada em Direito da arquidiocese de Chicago que foi inexplicavelmente curada em 2013 depois de rezar pela intercessão do Bem-aventurado John Henry, enquanto sofria de uma “gravidez de risco”.

A mulher, cujo nome ainda será publicado, foi inspirada a rezar pela intercessão do cardeal depois de supostamente assistir a um filme sobre ele no EWTN.

A mãe tinha “uma hemorragia interna incontrolável que ameaçava a vida de seu filho no útero”, disse padre Harrison. “Ela é uma devota de longa-data do Bem-Aventurado John Henry, e na oração ela invocou direta e explicitamente a intercessão de Newman para que o sangramento parasse”.

“A cura milagrosa foi imediata, completa e permanente”, disse padre Harrison, dizendo ainda que “a criança nasceu normalmente”.

A data da canonização do Bem-aventurado John Henry Newman, que será o primeiro santo inglês pós-Reforma, ainda não foi anunciada, mas espera-se que acontecerá ainda este ano. “Nós agora esperamos que seja mais cedo do que tarde”, disse o padre Harrison.

Fundador do Oratório de São Felipe Neri na Inglaterra, o Cardeal Newman foi um dos mais proeminentes conversos à Igreja Católica vindo do Anglicanismo no século XIX, e foi um renomado pregador e teólogo.

Autor de 40 livros de 21.000 cartas, suas obras mais famosas são Um Ensaio sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã, Sobre Consultar os Fieis em Questões de Doutrina, Apologia Pro Vita sua – sua autobiografia espiritual até 1864 – e Ensaio sobre a Gramática do Assentimento*.

Nascido em Londres em 1801, Newman foi feito cardeal em 1879 e tomou como lema “Cor ad cor loquitur – “O coração fala ao coração”. Ele morreu em Edgbaston, Inglaterra, em 1890.

Bento XVI beatificou Newman na Inglaterra em 19 de setembro de 2010, depois do Vaticano aprovar a cura milagrosa do diácono Jack Sullivan, um nativo de Braintree, Massachusetts, que se recuperou de um aleijamento espinhal depois de rezar a Newman por sua intercessão – e foi também inspirado a rezar a ele depois de assistir a um programa da EWTN.

Padre Harrison disse ao Register que esse Segundo milagre atribuído à intercessão do Bem-aventura John Henry havia “dominado minha mente e coração desde que aconteceu em 2013, e desde então estivemos trabalhando duro e rezando muito pela sua realização”.

Foi então uma “notícia maravilhosa” que o Santo Padre tenha agora aprovado o decreto.

Em uma declaração de 13 de fevereiro, o postulador pela causa disse que a notícia de hoje “será bem-vinda por católicos e anglicanos, e ainda por outros”

“Newman foi uma figura central dentro do Movimento de Oxford na Igreja da Inglaterra, e isso o ajudou a fazer contribuições teológicas e espirituais únicas para o Catolicismo depois de sua conversão em 1845”, disse o padre Harrison.

“A longa peregrinação espiritual de Newman ‘das sombras e imagens para a verdade’ encoraja todos os cristãos a perseverarem em sua busca por Deus acima de tudo o mais. Sua conversão ao Catolicismo é um exemplo claro de como Deus usa todas as circunstâncias de nossas vidas para levar-nos até Ele, em Seu bom tempo, e de tantas maneiras diferentes”.

*Respectivamente no original: Essay on the Development of Christian DoctrineOn Consulting the Faithful in Matters of DoctrineApologia pro Vita Sua, Essay on the Grammar of Assent, todos sem tradução para o português.

Original: Edward Pentin

Tradução: Bruno Menezes.

Fonte:

http://www.ncregister.com/blog/edward-pentin/blessed-newman-to-be-canonized-cardinal-mindszenty-declared-venerable

Imprensa distorce fala do Papa sobre Educação Sexual

REUTERS/Max Rossi

“Precisamos oferecer uma educação sexual objetiva, como é, sem colonização ideológica.” – Papa Francisco, 28 de janeiro de 2019, Panamá.

Uma quantidade enorme de pessoas deve ter se assustado com as manchetes dos jornais desta semana: “Papa Francisco diz apoiar que educação sexual seja ensinada nas escolas”.

De fato, o Sumo Pontífice falou sobre o assunto, e chegou a dizer, de fato, que era a favor da educação sexual para crianças.

No entanto, a extensão completa de suas palavras mostra que ele tem uma ideia completamente diferente, aliás oposta àquela dos inimigos da Igreja, sejam os inimigos declarados ou falsos fiéis, que se regozijam a cada “novidade” do Papa Francisco, que na maioria das vezes não passa de pura falta de caráter dos jornalistas.


Essa foi a fala completa do Papa:


“Creio que nas escolas é preciso dar educação sexual. Sexo é um dom de Deus não é um monstro. É o dom de Deus para amar e se alguém o usa para ganhar dinheiro ou explorar o outro, é um problema diferente. Precisamos oferecer uma educação sexual objetiva, como é, sem colonização ideológica. Porque se nas escolas se dá uma educação sexual embebida de colonizações ideológicas, destrói a pessoa. O sexo como dom de Deus deve ser educado, não rigidamente. Educado, de “educere”, para fazer emergir o melhor da pessoa e acompanhá-la no caminho. O problema está nos responsáveis ​​pela educação, seja a nível nacional, seja local, como também em cada unidade escolar: quem são os professores para isso, que livros de textos usar… Eu vi de todos os tipos, há coisas que amadurecem e outras que causam danos. Digo isso sem entrar nos problemas políticos do Panamá: precisamos dar educação sexual para as crianças. O ideal é que comecem em casa, com os pais. Nem sempre é possível por causa de muitas situações familiares, ou porque não sabem como fazê-lo. A escola compensa isso e deve fazê-lo, caso contrário, resta um vazio que é preenchido por qualquer ideologia.”

Dos bons combatentes

Cabem os santos num mundo de inocentes? A pergunta pode soar absurda, reconheço. Um santo, conforme a ideia geral que se tem, habita uma dimensão desconhecida, intocada pela podridão cá “de baixo”, pela corrupção de cada dia tão comum a nós, meros mortais; sua pureza é vista qual a de seres míticos, inatingíveis, desde sempre talvez preservados dos verdadeiros sangue, suor e lágrimas deste mundo.

Nada mais distante da verdade. O alheamento quanto à realidade é nosso, não dos santos. Nós comuns dos homens vivemos entorpecidos do espírito, afogados na superfície das coisas, donde nos é impossível compreender que, conforme dirá Otto-Maria Carpeaux em ensaio sobre a Santa de Ávila que sempre faço questão de revisitar, são os santos que levam o mundo a sério: eles perceberam que na presente vida está em jogo nada menos que a própria Eternidade! O exercício cristão do contemptus mundi (o desprezo do mundo) supõe a feliz notícia de que a Eternidade nos espreita, e de que tudo nesta terra, enquanto nada significa em face do eterno, só pode haurir desta mesma eternidade o seu sentido, a sua razão de ser. O nietzscheanismo de cátedra está equivocado: longe de negá-la, a eternidade é o excelso modo de verdadeiramente qualificar a vida terrestre.

A santidade não está na moda porque são poucos os homens que querem ser verdadeiramente livres. Em seu Camino de perfección, Santa Teresa ensina que, se os revolucionários julgam que seu triunfo passa pelo destronamento dos abastados, o coração de pobre imuniza-se a si mesmo, sobrepujando as armas com as quais os homens o podem escravizar. Esta liberdade, afirma Teresa, é um grande senhorio sobre os bens desta vida. Com efeito, como corromper quem se orgulha da própria pobreza? Santo Agostinho, parceiro de grandeza da nossa Santa, contrasta por sua vez o impulso belicoso que pode emergir da busca pelos bens perecíveis e a natureza pacificadora da procura pelos bens espirituais. Ao passo que os bens materiais são limitados, pois não podem pertencer a muitos — nisto radicam os terríveis conflitos de interesses e, no limite, o desespero existencial, fruto de subversão da correta hierarquia de valores –, os bens espirituais devem ser compartilhados, multiplicados (recorde-se o “servo mau e preguiçoso” de S. Mateus), sob pena de desaparecerem da alma de quem os usufrui. Bonum est diffusivum sui: é próprio do bem difundir-se.

Como é óbvio, não houve jamais um santo orgulhoso. Guardiã das demais virtudes, a humildade é certa geografia da existência, o puro e simples reconhecimento de nossa posição na realidade. A santidade chama à determinação radical do amor humilde num tempo de descompromissos como o nosso — no qual, segundo Carpeaux, as teses materialistas (que de forma alguma se resumem ao apego do dinheiro) triunfaram mesmo sobre os seus inimigos mais ferozes.

Os santos são os seres desconfiadíssimos de si mesmos e, em simultâneo, absurdamente resolutos, zelosos no querer; não há melhores conhecedores da corrupção humana, porque enxergam com luz sobrenatural as mais profundas escuridões da alma. E como não desesperam?

É que a luz divina não lhes descortina apenas a miséria da condição humana como também lhes abre os olhos à Divina Misericórdia. Eles entenderam a lição do Salmista: um abismo chama outro abismo (Sl 41, 8).

O leitor certamente já ouviu sobre os santos. Com o novo ano que se inicia, não devemos nós assumir o desafio de viver grandemente, imitando-os? O desafio de um novo olhar sobre a santidade? Atentemos ao que se escreveu por aí sobre a Sagrada Escritura: ela nos revela que grandes conversões são histórias de amor à segunda vista.

Segundo milagre de John Henry Newman confirmado

O Beato John Henry Newman pode ser canonizado já no ano que vem, anunciou o The Catholic Herald.

O Beato John Henry Newman pode ser canonizado já no ano que vem, anunciou o The Catholic Herald.

O Beato John Henry Newman poderia ser canonizado já no ano que vem depois de ter um segundo milagre aprovado, anunciou o The Catholic Herald.

Dom Philip Egan, bispo de Portsmouth disse num boletim de notícias semana passada que “ao que tudo indica, Newman pode ser canonizado ano que vem”.

O frei Ignatius Harrison, postulador da causa, confirmou ao Catholic Herald que agora faltavam apenas “dois empurrãozinhos” para que a causa avance e Newman seja canonizado – aprovação de uma comissão de bispos, e uma declaração do Papa Francisco.

“Estou rezando para que isso aconteça ano que vem, mas não temos como ter certeza”, ele disse.

Outra fonte com conhecimento da Causa disse ao Herald que comitês da Arquidiocese de Chicado e a Congregação pela Causa dos Santos julgaram como milagrosa a cura de uma mulher. A canonização possivelmente ocorrerá depois da Páscoa de 2019.

A Arquidiocese de Chicago investigou a cura inexplicável de uma mulher que rezou pela intercessão de Newman depois de sofrer com uma “gravidez com risco de morte”. Doutores que trataram relataram que não sabiam explicar sua repentina recuperação.

O Beato John Henry Newman foi um dos mais proeminentes conversos anglicanos ao catolicismo do século XIX.

Ele já era um teólogo anglicano estimado quando ele fundou o Movimento Oxford – que pretendia levar a Igreja Anglicana de volta às suas raízes católicas –, antes de se converter à fé católica.

Ele foi um renomado e brilhante pensador que foi feito cardeal pelo Papa Leão XIII.

Ele morreu em Birmingham em 1890, aos 89 anos, depois de fundar o Oratório de Birmingham.

Seus escritos prolíficos e originais levaram muitos a pedirem para que ele fosse declarado um Doutor da Igreja.

O Papa Bento XVI beatificou Newman em Birmingham em 2010 depois que o Vaticano aprovou seu primeiro milagre: a inexplicável cura do diácono Jack Sullivan, um americano que se recuperou de uma condição espinhal incapacitante.


Post original: Nick Hallet, 28 de novembro de 2018

https://catholicherald.co.uk/news/2018/11/28/second-newman-miracle-confirmed/?fbclid=IwAR3bWd9Zwbyz9xXmJ_GqJfc_LLBKzBTwddpEHyen5uv7WfpAEyk7MmdlAvM

Tradução: Bruno Menezes, 28 de novembro de 2018.

 

 

Dom Henrique detona juiz abortista: “suprema leviandade”

“Suprema leviandade

O Ministro Luís Roberto Barroso, do STF, afirmou hoje, em defesa do aborto, que “estão em jogo direitos fundamentais da mulher e do feto. A autonomia individual da mulher é um direito fundamental em jogo”. Disse também que “a mulher não é um útero a serviço da sociedade”.

É impressionante como um juiz da Suprema Corte da República pode ter uma visão tão míope e um pensamento tão raso e cínico num tema moralmente tão relevante!

Direito fundamental da mulher não tem nada a ver com assassinato de embriões! Para o Excelentíssimo togado, qual o estatuto do embrião? Qual o direito do ser humano no ventre materno? Qual seria o direito do feto?

É preciso que o Supremo cumpra a Constituição e deixe de lado a impostura de querer legislar! Esperamos que a próxima legislatura, na Câmara e no Senado, ponha fim a isto!

O Povo deve sempre recordar que os ministros do Supremo podem sofrer impeachment, quando não são dignos da função ou, exorbitam nas suas atribuições constitucionais. O Povo poderia pressionar o Congresso no sentido de uma limpeza de alguns senhores que se colocam acima da Constituição, dos demais Poderes da República e do Povo brasileiro…

Coisas a serem pensadas!”

A oração não é incondicional

A oração é condicional pelo fato de precisar ser consistente com a vontade de Deus.

 

(Martin Johann Schmidt (1718-1801), “Cristo no Monte das Oliveiras”)

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9 de outubro de 2018 (Dave Armstrong)

01 de novembro de 2018 (Tradução de Bruno Menezes)

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Matheus 21:21 Jesus respondeu-lhes: “Em verdade, vos digo: se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que fiz com a figueira, mas também, se disserdes a esta montanha: ‘Arranca-te daí e joga-te no mar’, acontecerá.

Marcos 11:24 Por isso, vos digo: tudo o que pedirdes na oração, crede que já o recebestes, e vos será concedido.

João 16: 23-24 Naquele dia, não me perguntareis mais nada. Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará.

Até agora, não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.

 

Passagens como essas levaram polemistas ateus e anticristãos a afirmarem que toda oração (supostamente de acordo com a Bíblia) é incondicional. E de fato, mesmo entre cristãos, existe uma crença falsa chamada “evangelho da prosperidade” ou “peça e receba” através da qual o crente pode ter o que quer que ele peça, contanto que ele use um mínimo de fé.

Ambos os grupos apresentam uma visão simplista e ingênua. A doutrina bíblica (no tocante à oração ou a qualquer outra coisa) deve ser determinada considerando-se todas as passagens relevantes juntas.

A oração é condicional pelo fato de precisar ser consistente com a vontade de Deus. Então se nós rezamos (para usar um exemplo extremo) para que um vizinho complicado seja abatido e não possa mais falar ou andar, isso não estaria na vontade de Deus e Deus não responderia a essa oração.

Até algo não imediatamente imoral ou amoral não está necessariamente dentro da vontade de Deus, porque Ele sabe tudo e pode ver aonde as coisas podem levar; assim, podendo recusar alguns pedidos. Quando Jesus diz “pedi e recebereis”, etc., diz isso num sentido proverbial familiar hebraico, que quer dizer [que é algo] “geralmente verdadeiro, mas admite exceções”.

A Bíblia claramente coloca várias condições para que orações sejam aceitas:

I João 5: 14 E esta é a confiança que temos em Deus: se lhe pedimos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.

Tiago 4:3 Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois o que pedis, só quereis esbanjá-lo nos vossos prazeres.

Tiago 1:7-8 Não pense, portanto, tal homem que alcançará alguma coisa do Senhor, [8] pois é um homem irresoluto, inconstante em todo o seu proceder.

Tiago 5:16 . . . A oração do justo tem grande eficácia.

Hebreus 10:22 acheguemo-nos a ele com coração sincero, com plena firmeza da fé, o mais íntimo da alma isento de toda mácula de pecado e o corpo lavado com a água purificadora (do batismo).

Salmo 66:18 Se eu intentasse no coração o mal, não me teria ouvido o Senhor.

Provérbios 15:8 Os sacrifícios dos pérfidos são abominação para o Senhor, a oração dos homens retos lhe é agradável.

 

Isaías 1:15  Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os meus olhos, quando multiplicais vossas preces, não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue,

Isaías 59:2 são vossos pecados que colocaram uma barreira entre vós e vosso Deus. Vossas faltas são o motivo pelo qual a Face se oculta para não vos ouvir,

 

Mesmo a oração peticionária de São Paulo foi expressamente recusada por Deus:

II Coríntios 12:7-9 [7] E para que a grandeza das revelações não me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me esbofetear, a fim de que eu não me torne orgulhoso. [8] A esse respeito, roguei três vezes ao Senhor que ficasse longe de mim. [9] Mas o Senhor disse- me: “Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente”. Por isso, de bom grado, me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim;

 

Muitos eruditos bíblicos são da opinião de que o “espinho” era uma doença ocular de algum tipo.

O profeta Jonas rezou para que Deus lhe tirasse a vida (Jonas 4:3): “Agora, Senhor, toma a minha alma, porque me é melhor a morte que a vida”. Deus obviamente não cumpriu o pedido, e repreendeu Jonas por sua raiva (cf. 4:4,9). O profeta Ezequiel fez o mesmo (I Reis 19:4): “Basta, Senhor, disse ele, tirai-me a vida”. Deus tinha outros planos, como a passagem inteira mostra. Se nós rezamos de maneira estúpida, Deus não nos responde. Ele sabe melhor do que nós.

Jesus também conta a história (e não parábola, já que elas não têm nomes próprios) em Lucas 16 de Lázaro e o homem rico, em que duas orações peticionárias (com efeito, orações: 16:24, 27-28, 30) para Abraão e são recusadas (16:25-26, 29, 31). Já que Jesus está ensinando princípios teológicos ou verdades, por meio da história, então segue-se que essa é a opinião dEle também: as orações nem sempre são aceitas. Elas precisam estar de acordo com a vontade de Deus.

O mesmo princípio também se aplica à adoração, que Deus não receberá se não for ofertada com sinceridade e na ausência de pecados sérios:

Amós 5:14, 21-24 [14] Buscai o bem e não o mal, e vivereis, e o Senhor Deus dos exércitos estará convosco, como o dizeis.

[21] Aborreço vossas festas, elas me desgostam, não sinto gosto algum em vossos cultos, [22] quando me ofereceis holocaustos e ofertas, não encontro neles prazer algum, e não faço caso de vossos sacrifícios e animais cevados. [23] Longe de mim o ruído de vossos cânticos, não quero mais ouvir a música de vossas harpas, [24] mas, antes, que jorre a eqüidade como uma fonte e a justiça como torrente que não seca.

Provérbios 21:27 O sacrifício dos ímpios é abominável, mormente quando o oferecem com má intenção.

Quando Seu povo obedecia Seus mandamentos, no entanto, Deus ficava contente com os mesmos sacrifícios (veja por exemplo Is 56:6-7; Jer 17:24-26; Mal 1:11: “uma oferta pura”; e muitos outros).

 

 

Post original:

 

http://www.ncregister.com/blog/darmstrong/biblical-prayer-is-conditional-not-solely-based-on-faith

 

Capelão de Universidade demitido por fazer ato em desagravo por Parada Gay

Fr Mark Morris (GCU Catholic Community/Facebook)

 

Um padre que ofereceu um serviço em reparação pela “grosseira ofensa contra Deus” da Glasgow Pride foi demitido de seu posto de capelão da universidade.

O frei Mark Morris ofereceu um rosário, uma Litania e uma Benção na Immaculate Heart of Mary Chruch (Igreja do Sagrado Coração de Maria) em Balornock, Glasgow, na noite de segunda-feira.

A Glasgow Caledonian University (“Universidade Caledoniana de Glasgow” em tradução livre (N. do T)) demitiu de seu posto de capelão no dia seguinte, alegando que a visão dele estava em desacordo com aquelas da instituição educacional.

A diretora da universidade, professora Pamela Gillies disse: “Depois de uma devida conversa, o padre Mark Morris não retornará ao seu papel na capelania da universidade em setembro.

“A universidade trabalhará com a Arquidiocese de Glasgow para assegurar a provisão continuada do serviço de capelania para os funcionários e estudantes, no nosso Centro de Fé e Crença, quando o novo período começar

“A universidade é fortemente inclusiva e comprometida com a o apoio à igualdade e diversidade no campus.”

No entanto, a sociedade católica da universidade disse que estavam “extremamente desapontados” com a ação. “É francamente repugnante que um padre católico seja demitido de seu posto como capelão católico por meramente reafirmar os ensinamentos da fé católica”, disse a GCU Catholic Community.

“Parece que a Glasgow Caledonian University tem um entendimento muito deformado do que seja “igualdade e diversidade”, pelo qual eles não permitiram qualquer diversidade de opinião que seja.  Estamos muito tristes em ver que as opiniões e crenças dos católicos não são valorizadas ou respeitadas na capelania da universidade”, eles acrescentaram.

“Com toda a caridade, nós insistimos que a universidade reconsidere sua demissão injusta do nosso capelão.”

Em uma breve declaração, a Arquidiocese de Glasgow disse que estava “ciente da decisão da Universidade” e que vai “dar a provisão de apoio de capelania no tempo devido”.

 

Autor: 

(funcionários do Catholic Herald)

19 de julho de 2018

Tradutor: Bruno Menezes

 

Fonte:

http://catholicherald.co.uk/news/2018/07/19/university-chaplain-sacked-after-holding-service-of-reparation-for-gay-pride/

Dom Schneider: Por trás do fenômeno das migrações, existe um plano para mudar a população europeia.

Francesco Boezi

“Il Giornale”

27 de Junho de 2018

 

Um plano para pôr em cheque a Cristandade na Europa. Essa é a visão do bispo do Quirguistão, Athanasius Schneider, que focou nesse e em outros temas que também preocupam bastante a visão da Igreja Católica.

 

Trecho de uma entrevista para “Il Giornale”:

P. Há muitos debates sobre o tema da imigração. Teria a Itália sido abandonada pela União Europeia? A Igreja continua a pedir que nosso país seja “humanitário”.

 

“O fenômeno dessa assim chamada “imigração” representa um plano orquestrado, preparado por um longo tempo pelos poderes internacionais para mudar radicalmente a identidade cristã das populações europeias.  Esses poderes estão usando o enorme potencial moral da Igreja e suas estruturas para alcançar mais eficientemente seus objetivos anti-cristãos e anti-europeus. Com esses objetivos, o próprio conceito de humanismo e mesmo o mandamento cristão da caridade estão sendo abusados.”

P. O que você acha de Matteo Salvini, o Ministro Italiano do Interior?

 

“Eu não conheço muito bem a situação política italiana, por isso não posso dizer muito sobre isso. No entanto, se um governo de uma nação específica da União Europeia tentasse acentuar mais suas próprias identidades soberanas e históricas, culturais e cristãs contra um novo tipo de totalitarismo à lá União Soviética – sendo hoje chamada de União Europeia com sua ideologia inequivocamente maçônica – seria algo a se elogiar.”

Guarda Costeira italiana resgata 220 imigrantes no Mediterrâneo. AFP

P. Alguns prefeitos italianos do Movimento Cinco Estrelas, como Chiara Appendino de Turim, registraram os filhos de casais homossexuais no Cartório. Qual a posição da Igreja Católica em relação a isso?

 

“A Igreja Católica, como qualquer ser-humano com bom senso e razão reta, sempre rejeitou a atividade homossexual. Confiar crianças a esses supostos “casais” homossexuais significa a violação do direito fundamental de qualquer criança: crescer e ser educada por um pai e uma mãe. Confiar crianças em assistência social para supostos “casais” homossexuais, em última análise, representa um abuso moral das crianças — os menores e mais indefesos. Esse fenômeno ficará marcado na história como uma das maiores degradações da civilização. Os que estão hoje lutando contra uma injustiça tão flagrante são os verdadeiros amigos das crianças e heróis de nosso tempo.”

 

H/T : Chiesa e Post Concilio

 

Primeira tradução: Contribuidora, Francesca Romana (rorate-caeli.blogspot.com)

Tradução do inglês para o português: Bruno Menezes.

Católicos e muçulmanos adoram o mesmo Deus? Esclarecendo a “Nostra Aetate”.

Autor: Dave Armstrong

Tradutor: Bruno Menezes

 

As preocupações refletidas nos títulos de meus artigos são frequentemente baseadas em algum grande mal-entendido. Quando a Igreja fala sobre os muçulmanos adorarem o único Deus, diz isso no sentido de que tanto cristãos como muçulmanos são monoteístas. O monoteísmo inclui cristãos, judeus e muçulmanos.

O Concílio Vaticano II, em seu documento “Nostra Aetate” diz:

“Eles [os muçulmanos] adoram a Deus, que é uno, vivo e subsistente, misericordioso e todo-poderoso, o Criador do céu e da terra.”

Na prática do diálogo inter-religioso e do ecumenismo, a Igreja busca construir pontes com aqueles que professam outras crenças definindo pontos em comum. É bom fazer apologética e defender o que se acredita ser a verdade, mas também regozijar-se em um terreno comum (ecumenismo), para que se possa promover a paz e um melhor entendimento mútuo. A Igreja Católica assegura que ambas as coisas são esforços bons, harmoniosos e válidos.

Se você ler atentamente, verá que o concílio não está dizendo que “o Deus muçulmano [Allah] e o Deus cristão são exatamente o mesmo.” De fato, o documento não poderia igualar Allah a Yahweh, porque nós católicos cremos que Deus é uma Trindade (Um Deus em Três Pessoas), e os muçulmanos (assim como os judeus) não creem.

O contexto da afirmação é supremamente importante para determinar o significado desejado. Além do mais, é preciso distinguir duas noções: 1.) Um muçulmano adorando Aquele que ele acredita ser o verdadeiro Deus e 2.) O recipiente da adoração dirigida a Deus, ainda que errôneo em alguns aspectos, sendo o Deus que Ele realmente É.

Fazendo uma analogia, imagine uma criança que foi adotada mas que ainda não sabe disso.  Ele ou ela pode dizer: “Eu sou muito grato por minha mãe ter me dado à luz”. Agora, essa pessoa acha que sua mãe é a mulher que na verdade é sua mãe adotiva. Mas mesmo assim, a atitude de gratidão por ter sido dada à luz é de certa forma “transferida” para a mãe biológica.

Em outras palavras, é a mãe biológica que está verdadeiramente recebendo o elogio, porque a pessoa que o está fazendo direciona isso para aquela que a deu à luz: e essa pessoa é quem ela é, independentemente da criança saber disso ou não. O fato de existir um erro em relação à verdadeira pessoa enquanto mãe biológica não muda a factualidade disso.

Da mesma forma, um muçulmano comprometido está adorando o que ele crê sinceramente ser Deus. Ele está enganado, é claro, em relação à verdadeira definição e à realidade ontológica, mas ele está adorando em comum com os cristãos, na medida em que ele é um monoteísta.

Yahweh está recebendo esse louvor de fato porque Ele é o verdadeiro criador. Nesse sentido o muçulmano está de fato adorando a Deus, mas em uma relativa ignorância.

Eu acredito que Deus (ou seja, Yahweh!) leva isso em consideração, e que a pessoa recebe algum crédito pelo que ele sabe e Quem ele quer adorar, embora ele esteja errado em sua teologia.

A ideia é que as palavras têm que ser lidas em contexto e concordância com uma visão de mundo global. Ninguém sustenta seriamente que a Igreja Católica parou de acreditar na Trindade. Portanto, quando a Igreja diz que muçulmanos e judeus adoram o Deus único, isso não significa, de maneira alguma, que os “judeus e muçulmanos são trinitários”.

Assim sendo, isso deve significar que “muçulmanos e judeus são também monoteístas, como nós somos, e adoram o Deus único.” O contexto (e o propósito do escritor) são supremamente importantes.

Soa muito melhor, e por natureza infinitamente mais positivo dizer:

“Católicos e muçulmanos ambos adoram o Deus único de Abraão” etc., do que dizer “Nós cremos que muçulmanos adoram um falso Deus, porque Allah não é trinitário; portanto, Ele não existe de maneira alguma, de forma que os muçulmanos adoram uma invenção da imaginação deles; o único Deus verdadeiro é o Yahweh trinitário da Bíblia.”

Isso acabaria com o propósito ecumênico e diplomático, não acham? O propósito é precisamente encontrar coisas em comum (o monoteísmo sendo uma). A linguagem é necessariamente diferente, porque o propósito e os objetivos são diferentes.

*Por visão de mundo global, entenda uma visão “inteira”, em contraposição a uma visão parcial; e não algo relacionada à globalização, por exemplo (N. do T).