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Papa Francisco canonizará John Henry Newman

O Vaticano anuncia grandes avanços na causa do famoso teólogo inglês do século XIX e converso do anglicanismo.

O Bem-Aventurado Cardeal John Henry Newman está para ser canonizado após um anúncio do Vaticano. Nesta quarta-feira, o Papa formalmente aprovou um milagre atribuído à sua intercessão

O oratoriano padre Ignatius Harrison, postulador pela causa do Bem-aventurado John Henry, disse ao Register no dia 13 de fevereiro que ouviu a notícia “com enorme júbilo”.

Todo mundo no Oratório de Birmingham, que o Cardeal Newman fundou, está “absolutamente feliz pelo reconhecimento de sua heroica santidade”, disse padre Harrison, “e esperamos por muitas outras graças com sua intercessão”.

O decreto papal surge depois que o Vaticano julgou, no ano passado, a cura de uma mulher como milagrosa.

O caso está relacionado a uma graduada em Direito da arquidiocese de Chicago que foi inexplicavelmente curada em 2013 depois de rezar pela intercessão do Bem-aventurado John Henry, enquanto sofria de uma “gravidez de risco”.

A mulher, cujo nome ainda será publicado, foi inspirada a rezar pela intercessão do cardeal depois de supostamente assistir a um filme sobre ele no EWTN.

A mãe tinha “uma hemorragia interna incontrolável que ameaçava a vida de seu filho no útero”, disse padre Harrison. “Ela é uma devota de longa-data do Bem-Aventurado John Henry, e na oração ela invocou direta e explicitamente a intercessão de Newman para que o sangramento parasse”.

“A cura milagrosa foi imediata, completa e permanente”, disse padre Harrison, dizendo ainda que “a criança nasceu normalmente”.

A data da canonização do Bem-aventurado John Henry Newman, que será o primeiro santo inglês pós-Reforma, ainda não foi anunciada, mas espera-se que acontecerá ainda este ano. “Nós agora esperamos que seja mais cedo do que tarde”, disse o padre Harrison.

Fundador do Oratório de São Felipe Neri na Inglaterra, o Cardeal Newman foi um dos mais proeminentes conversos à Igreja Católica vindo do Anglicanismo no século XIX, e foi um renomado pregador e teólogo.

Autor de 40 livros de 21.000 cartas, suas obras mais famosas são Um Ensaio sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã, Sobre Consultar os Fieis em Questões de Doutrina, Apologia Pro Vita sua – sua autobiografia espiritual até 1864 – e Ensaio sobre a Gramática do Assentimento*.

Nascido em Londres em 1801, Newman foi feito cardeal em 1879 e tomou como lema “Cor ad cor loquitur – “O coração fala ao coração”. Ele morreu em Edgbaston, Inglaterra, em 1890.

Bento XVI beatificou Newman na Inglaterra em 19 de setembro de 2010, depois do Vaticano aprovar a cura milagrosa do diácono Jack Sullivan, um nativo de Braintree, Massachusetts, que se recuperou de um aleijamento espinhal depois de rezar a Newman por sua intercessão – e foi também inspirado a rezar a ele depois de assistir a um programa da EWTN.

Padre Harrison disse ao Register que esse Segundo milagre atribuído à intercessão do Bem-aventura John Henry havia “dominado minha mente e coração desde que aconteceu em 2013, e desde então estivemos trabalhando duro e rezando muito pela sua realização”.

Foi então uma “notícia maravilhosa” que o Santo Padre tenha agora aprovado o decreto.

Em uma declaração de 13 de fevereiro, o postulador pela causa disse que a notícia de hoje “será bem-vinda por católicos e anglicanos, e ainda por outros”

“Newman foi uma figura central dentro do Movimento de Oxford na Igreja da Inglaterra, e isso o ajudou a fazer contribuições teológicas e espirituais únicas para o Catolicismo depois de sua conversão em 1845”, disse o padre Harrison.

“A longa peregrinação espiritual de Newman ‘das sombras e imagens para a verdade’ encoraja todos os cristãos a perseverarem em sua busca por Deus acima de tudo o mais. Sua conversão ao Catolicismo é um exemplo claro de como Deus usa todas as circunstâncias de nossas vidas para levar-nos até Ele, em Seu bom tempo, e de tantas maneiras diferentes”.

*Respectivamente no original: Essay on the Development of Christian DoctrineOn Consulting the Faithful in Matters of DoctrineApologia pro Vita Sua, Essay on the Grammar of Assent, todos sem tradução para o português.

Original: Edward Pentin

Tradução: Bruno Menezes.

Fonte:

http://www.ncregister.com/blog/edward-pentin/blessed-newman-to-be-canonized-cardinal-mindszenty-declared-venerable

Bruno Menezes

Imprensa distorce fala do Papa sobre Educação Sexual

REUTERS/Max Rossi

“Precisamos oferecer uma educação sexual objetiva, como é, sem colonização ideológica.” – Papa Francisco, 28 de janeiro de 2019, Panamá.

Uma quantidade enorme de pessoas deve ter se assustado com as manchetes dos jornais desta semana: “Papa Francisco diz apoiar que educação sexual seja ensinada nas escolas”.

De fato, o Sumo Pontífice falou sobre o assunto, e chegou a dizer, de fato, que era a favor da educação sexual para crianças.

No entanto, a extensão completa de suas palavras mostra que ele tem uma ideia completamente diferente, aliás oposta àquela dos inimigos da Igreja, sejam os inimigos declarados ou falsos fiéis, que se regozijam a cada “novidade” do Papa Francisco, que na maioria das vezes não passa de pura falta de caráter dos jornalistas.


Essa foi a fala completa do Papa:


“Creio que nas escolas é preciso dar educação sexual. Sexo é um dom de Deus não é um monstro. É o dom de Deus para amar e se alguém o usa para ganhar dinheiro ou explorar o outro, é um problema diferente. Precisamos oferecer uma educação sexual objetiva, como é, sem colonização ideológica. Porque se nas escolas se dá uma educação sexual embebida de colonizações ideológicas, destrói a pessoa. O sexo como dom de Deus deve ser educado, não rigidamente. Educado, de “educere”, para fazer emergir o melhor da pessoa e acompanhá-la no caminho. O problema está nos responsáveis ​​pela educação, seja a nível nacional, seja local, como também em cada unidade escolar: quem são os professores para isso, que livros de textos usar… Eu vi de todos os tipos, há coisas que amadurecem e outras que causam danos. Digo isso sem entrar nos problemas políticos do Panamá: precisamos dar educação sexual para as crianças. O ideal é que comecem em casa, com os pais. Nem sempre é possível por causa de muitas situações familiares, ou porque não sabem como fazê-lo. A escola compensa isso e deve fazê-lo, caso contrário, resta um vazio que é preenchido por qualquer ideologia.”

Bruno Menezes

Segundo milagre de John Henry Newman confirmado

O Beato John Henry Newman pode ser canonizado já no ano que vem, anunciou o The Catholic Herald.

O Beato John Henry Newman pode ser canonizado já no ano que vem, anunciou o The Catholic Herald.

O Beato John Henry Newman poderia ser canonizado já no ano que vem depois de ter um segundo milagre aprovado, anunciou o The Catholic Herald.

Dom Philip Egan, bispo de Portsmouth disse num boletim de notícias semana passada que “ao que tudo indica, Newman pode ser canonizado ano que vem”.

O frei Ignatius Harrison, postulador da causa, confirmou ao Catholic Herald que agora faltavam apenas “dois empurrãozinhos” para que a causa avance e Newman seja canonizado – aprovação de uma comissão de bispos, e uma declaração do Papa Francisco.

“Estou rezando para que isso aconteça ano que vem, mas não temos como ter certeza”, ele disse.

Outra fonte com conhecimento da Causa disse ao Herald que comitês da Arquidiocese de Chicado e a Congregação pela Causa dos Santos julgaram como milagrosa a cura de uma mulher. A canonização possivelmente ocorrerá depois da Páscoa de 2019.

A Arquidiocese de Chicago investigou a cura inexplicável de uma mulher que rezou pela intercessão de Newman depois de sofrer com uma “gravidez com risco de morte”. Doutores que trataram relataram que não sabiam explicar sua repentina recuperação.

O Beato John Henry Newman foi um dos mais proeminentes conversos anglicanos ao catolicismo do século XIX.

Ele já era um teólogo anglicano estimado quando ele fundou o Movimento Oxford – que pretendia levar a Igreja Anglicana de volta às suas raízes católicas –, antes de se converter à fé católica.

Ele foi um renomado e brilhante pensador que foi feito cardeal pelo Papa Leão XIII.

Ele morreu em Birmingham em 1890, aos 89 anos, depois de fundar o Oratório de Birmingham.

Seus escritos prolíficos e originais levaram muitos a pedirem para que ele fosse declarado um Doutor da Igreja.

O Papa Bento XVI beatificou Newman em Birmingham em 2010 depois que o Vaticano aprovou seu primeiro milagre: a inexplicável cura do diácono Jack Sullivan, um americano que se recuperou de uma condição espinhal incapacitante.


Post original: Nick Hallet, 28 de novembro de 2018

https://catholicherald.co.uk/news/2018/11/28/second-newman-miracle-confirmed/?fbclid=IwAR3bWd9Zwbyz9xXmJ_GqJfc_LLBKzBTwddpEHyen5uv7WfpAEyk7MmdlAvM

Tradução: Bruno Menezes, 28 de novembro de 2018.

 

 

Bruno Menezes

Dom Henrique detona juiz abortista: “suprema leviandade”

“Suprema leviandade

O Ministro Luís Roberto Barroso, do STF, afirmou hoje, em defesa do aborto, que “estão em jogo direitos fundamentais da mulher e do feto. A autonomia individual da mulher é um direito fundamental em jogo”. Disse também que “a mulher não é um útero a serviço da sociedade”.

É impressionante como um juiz da Suprema Corte da República pode ter uma visão tão míope e um pensamento tão raso e cínico num tema moralmente tão relevante!

Direito fundamental da mulher não tem nada a ver com assassinato de embriões! Para o Excelentíssimo togado, qual o estatuto do embrião? Qual o direito do ser humano no ventre materno? Qual seria o direito do feto?

É preciso que o Supremo cumpra a Constituição e deixe de lado a impostura de querer legislar! Esperamos que a próxima legislatura, na Câmara e no Senado, ponha fim a isto!

O Povo deve sempre recordar que os ministros do Supremo podem sofrer impeachment, quando não são dignos da função ou, exorbitam nas suas atribuições constitucionais. O Povo poderia pressionar o Congresso no sentido de uma limpeza de alguns senhores que se colocam acima da Constituição, dos demais Poderes da República e do Povo brasileiro…

Coisas a serem pensadas!”

Bruno Menezes

A oração não é incondicional

A oração é condicional pelo fato de precisar ser consistente com a vontade de Deus.

 

(Martin Johann Schmidt (1718-1801), “Cristo no Monte das Oliveiras”)

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9 de outubro de 2018 (Dave Armstrong)

01 de novembro de 2018 (Tradução de Bruno Menezes)

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Matheus 21:21 Jesus respondeu-lhes: “Em verdade, vos digo: se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que fiz com a figueira, mas também, se disserdes a esta montanha: ‘Arranca-te daí e joga-te no mar’, acontecerá.

Marcos 11:24 Por isso, vos digo: tudo o que pedirdes na oração, crede que já o recebestes, e vos será concedido.

João 16: 23-24 Naquele dia, não me perguntareis mais nada. Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará.

Até agora, não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.

 

Passagens como essas levaram polemistas ateus e anticristãos a afirmarem que toda oração (supostamente de acordo com a Bíblia) é incondicional. E de fato, mesmo entre cristãos, existe uma crença falsa chamada “evangelho da prosperidade” ou “peça e receba” através da qual o crente pode ter o que quer que ele peça, contanto que ele use um mínimo de fé.

Ambos os grupos apresentam uma visão simplista e ingênua. A doutrina bíblica (no tocante à oração ou a qualquer outra coisa) deve ser determinada considerando-se todas as passagens relevantes juntas.

A oração é condicional pelo fato de precisar ser consistente com a vontade de Deus. Então se nós rezamos (para usar um exemplo extremo) para que um vizinho complicado seja abatido e não possa mais falar ou andar, isso não estaria na vontade de Deus e Deus não responderia a essa oração.

Até algo não imediatamente imoral ou amoral não está necessariamente dentro da vontade de Deus, porque Ele sabe tudo e pode ver aonde as coisas podem levar; assim, podendo recusar alguns pedidos. Quando Jesus diz “pedi e recebereis”, etc., diz isso num sentido proverbial familiar hebraico, que quer dizer [que é algo] “geralmente verdadeiro, mas admite exceções”.

A Bíblia claramente coloca várias condições para que orações sejam aceitas:

I João 5: 14 E esta é a confiança que temos em Deus: se lhe pedimos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.

Tiago 4:3 Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois o que pedis, só quereis esbanjá-lo nos vossos prazeres.

Tiago 1:7-8 Não pense, portanto, tal homem que alcançará alguma coisa do Senhor, [8] pois é um homem irresoluto, inconstante em todo o seu proceder.

Tiago 5:16 . . . A oração do justo tem grande eficácia.

Hebreus 10:22 acheguemo-nos a ele com coração sincero, com plena firmeza da fé, o mais íntimo da alma isento de toda mácula de pecado e o corpo lavado com a água purificadora (do batismo).

Salmo 66:18 Se eu intentasse no coração o mal, não me teria ouvido o Senhor.

Provérbios 15:8 Os sacrifícios dos pérfidos são abominação para o Senhor, a oração dos homens retos lhe é agradável.

 

Isaías 1:15  Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os meus olhos, quando multiplicais vossas preces, não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue,

Isaías 59:2 são vossos pecados que colocaram uma barreira entre vós e vosso Deus. Vossas faltas são o motivo pelo qual a Face se oculta para não vos ouvir,

 

Mesmo a oração peticionária de São Paulo foi expressamente recusada por Deus:

II Coríntios 12:7-9 [7] E para que a grandeza das revelações não me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me esbofetear, a fim de que eu não me torne orgulhoso. [8] A esse respeito, roguei três vezes ao Senhor que ficasse longe de mim. [9] Mas o Senhor disse- me: “Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente”. Por isso, de bom grado, me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim;

 

Muitos eruditos bíblicos são da opinião de que o “espinho” era uma doença ocular de algum tipo.

O profeta Jonas rezou para que Deus lhe tirasse a vida (Jonas 4:3): “Agora, Senhor, toma a minha alma, porque me é melhor a morte que a vida”. Deus obviamente não cumpriu o pedido, e repreendeu Jonas por sua raiva (cf. 4:4,9). O profeta Ezequiel fez o mesmo (I Reis 19:4): “Basta, Senhor, disse ele, tirai-me a vida”. Deus tinha outros planos, como a passagem inteira mostra. Se nós rezamos de maneira estúpida, Deus não nos responde. Ele sabe melhor do que nós.

Jesus também conta a história (e não parábola, já que elas não têm nomes próprios) em Lucas 16 de Lázaro e o homem rico, em que duas orações peticionárias (com efeito, orações: 16:24, 27-28, 30) para Abraão e são recusadas (16:25-26, 29, 31). Já que Jesus está ensinando princípios teológicos ou verdades, por meio da história, então segue-se que essa é a opinião dEle também: as orações nem sempre são aceitas. Elas precisam estar de acordo com a vontade de Deus.

O mesmo princípio também se aplica à adoração, que Deus não receberá se não for ofertada com sinceridade e na ausência de pecados sérios:

Amós 5:14, 21-24 [14] Buscai o bem e não o mal, e vivereis, e o Senhor Deus dos exércitos estará convosco, como o dizeis.

[21] Aborreço vossas festas, elas me desgostam, não sinto gosto algum em vossos cultos, [22] quando me ofereceis holocaustos e ofertas, não encontro neles prazer algum, e não faço caso de vossos sacrifícios e animais cevados. [23] Longe de mim o ruído de vossos cânticos, não quero mais ouvir a música de vossas harpas, [24] mas, antes, que jorre a eqüidade como uma fonte e a justiça como torrente que não seca.

Provérbios 21:27 O sacrifício dos ímpios é abominável, mormente quando o oferecem com má intenção.

Quando Seu povo obedecia Seus mandamentos, no entanto, Deus ficava contente com os mesmos sacrifícios (veja por exemplo Is 56:6-7; Jer 17:24-26; Mal 1:11: “uma oferta pura”; e muitos outros).

 

 

Post original:

 

http://www.ncregister.com/blog/darmstrong/biblical-prayer-is-conditional-not-solely-based-on-faith

 

Bruno Menezes

Evidência Bíblica: Orações formais não são “vãs repetições”

Autor original: Dave Armstrong, 14 de agosto de 2018.

Tradução: Bruno Menezes de Oliveira, 04 de setembro de 2018.

 

 

“Do meu livro de 2009, ‘Bible Proofs for Catholic Truths‘ (“Provas bíblicas para verdades católicas” em tradução livre), com exceção dos versículos abaixo que são da RSV (e não KJV)” — Dave Armstrong (Nós utilizaremos os versículos da Bíblia de Jerusalém para a tradução)

*****

Salmos 135: 1,5 Aleluia! [1] Celebrai a Iahweh, porque ele é bom, porque o seu amor é para sempre!
[2] Celebrai o Deus dos deuses, porque o seu amor é para sempre!  [3] Celebrai o Senhor dos senhores, porque o seu amor é para sempre! [4] Só ele realizou maravilhas, porque o seu amor é para sempre! [5] Ele fez os céus com inteligência, porque o seu amor é para sempre!

A mesma frase é repetida letra por letra em 26 versículos seguidos, ao longo de todo o salmo. Ora, obviamente Deus não se opõe a toda e qualquer repetição. A repetição é um artifício usado ao longo dos Salmos e também nos Provérbios e nos livros dos profetas. Por exemplo, no Salmo 29 “voz do Senhor” é repetida sete vezes em sete versículos. “Tu fizestes” é repetido em seis versos seguidos no Salmo 44:9-14*

Instruções em relação à Lei Mosaica nos cinco primeiros livros são extremamente repetitivas.  Instruções elaboradas e meticulosas para a Arca da Aliança (Ex 25:1-22), o tabernáculo (Ex 25:23-40; capítulos 26-27), e o Templo (1 Reis, capítulos 6-7) ilustram a natureza altamente ritual da adoração hebraica (confira também Levítico 23:37-38 e 24:5-8). Os quatro Evangelhos frequentemente repetem os dizeres uns dos outros. Muitos outros exemplos poderiam ser citados.

Mateus 6:7 Nas vossas orações não useis de vãs repetições, como os gentios, porque imaginam que é pelo palavreado excessivo que serão ouvidos.

Jesus está falando sobre “palavras vazias”. Do grego “battalogeo” que aqui significa “repetir à toa” ou “frases repetidas mecanicamente e sem significado”. Assim, o Senhor está condenando orações proferidas sem a devida reverência ou respeito por Deus.

Apocalipse 4:8 Os quatro Seres vivos têm cada um seis asas e são cheios de olhos ao redor e por dentro. E, dia e noite sem parar, proclamam: “Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus todo-poderoso, ‘Aquele-que-era, Aquele-que-é e Aquele-que-vem'”.

Deus está interessado em nossas disposições internas e a retidão do adorador, e a sua aderência a Seus mandamentos (i.e., Is 56:6-7; Jer 17:24-26; Mal 1:11), e não com a aparência externa ou o quão frequentemente algo é repetida (o que é contradito pelo Salmo 136 e a passagem acima).  Isso é um tema comum nas Escrituras, e é visto nas passagens seguintes:

Isaías 1:13-17 [13] Basta de trazer-me oferendas vãs: elas são para mim um incenso abominável.  Lua nova, sábado e assembleia, não posso suportar iniquidade e solenidade! [14] As vossas luas novas e as vossas festas, a minha alma as detesta: elas são para mim um fardo; estou cansado de carregá-lo. [15] Quando estendeis as vossas mãos, desvio de vós os meus olhos; ainda que multipliqueis a oração não vos ouvirei. As vossas mãos estão cheias de sangue: [16] lavai-vos, purificai-vos! Tirai da minha vista as vossas más ações! Cessai de praticar o mal, [17] aprendei a fazer o bem! Buscai o direito, corrigi o opressor! Fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva!

Jeremias 6:19-20 [19] Escuta, terra! Eis que eu farei vir uma desgraça sobre este povo, fruto de suas cogitações, porque não atenderam às minhas palavras e desprezaram a minha lei.  [20] Que me importa o incenso que vem de Seba, e a cana aromática de países longínquos? Vossos holocaustos não me agradam e vossos sacrifícios não me comprazem.

Amós 5:11-14, 21-24: [11] Por isso: porque oprimis o fraco e tomais dele um imposto de trigo, construístes casas de cantaria, mas não as habitareis; plantastes vinhas esplêndidas, mas não bebereis o seu vinho.  [12] Pois eu conheço vossos inúmeros delitos e vossos enormes pecados! Eles hostilizam o justo, aceitam suborno, e repelem os indigentes à porta.  [13] Por isso o sábio se cala neste tempo, porque é um tempo de desgraça. [14]Procurai o bem e não o mal para que possais viver, e, deste modo, Iahweh, Deus dos Exércitos estará convosco, como vós o dizeis!

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.

[21] Eu odeio, eu desprezo as vossas festas e não gosto de vossas reuniões. [22] Porque, se e ofereceis holocaustos…, não me agradam as vossas oferendas e não olho para o sacrifício de vossos animais cevados. [23] Afasta de mim o ruído de teus cantos, eu não posso ouvir o som de tuas harpas! [24] Que o direito corra como a água e a justiça como um rio caudaloso! (Cf. Provérbios 15:8; 21:27; Mal 1:6-14)

Mateus 15:7-9 [7] Hipócritas!  Bem profetizou Isaías a vosso respeito, quando disse: [8] Este povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim. [9] Em vão me prestam culto, pois o que ensinam são mandamentos humanos. ” (Cf. Mc 7:6-7)

Mateus 23:23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que pagais o dízimo da hortelã, do coentro e do cominho, mas omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Importava praticar estas coisas, mas sem omitir aquelas.

Tiago 1:26-27: [26] Se alguém pensa ser religioso, mas não refreia a sua língua, antes se engana a si mesmo, saiba que a sua religião é vã.  [27] Com efeito, a religião pura e sem mácula diante de Deus, nosso Pai, consiste nisto: visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações e guardar-se livre da corrupção do mundo.

Adorações formais e ritualísticas são descritas tomando lugar no céu (Ap 4:8-11; 5:8-14), com orações repetitivas (Ap 4:8 acima), e cantos e hinos repetidos (4:11, 5:9-10).

 

 

 

 

*A tradução inglesa da RSV reflete melhor aquilo que o autor quer dizer, em relação à passagem do Salmo 44:9-14. Veja como todos os versos começam com “thou hast”. O mesmo não acontece na tradução que adotamos (N. do T.)

 

9 Yet thou hast cast us off and abased us, and hast not gone out with our armies.

10 Thou hast made us turn back from the foe; and our enemies have gotten spoil.

11 Thou hast made us like sheep for slaughter, and hast scattered us among the nations.

12 Thou hast sold thy people for a trifle, demanding no high price for them.

13 Thou hast made us the taunt of our neighbors, the derision and scorn of those about us.

14 Thou hast made us a byword among the nations, a laughingstock among the peoples.

 

 

 

Photo credit: King David in Prayer, by Pieter de Grebber (c. 1600-c. 1653) [public domain / Wikimedia Commons]

 

Bruno Menezes

Capelão de Universidade demitido por fazer ato em desagravo por Parada Gay

Fr Mark Morris (GCU Catholic Community/Facebook)

 

Um padre que ofereceu um serviço em reparação pela “grosseira ofensa contra Deus” da Glasgow Pride foi demitido de seu posto de capelão da universidade.

O frei Mark Morris ofereceu um rosário, uma Litania e uma Benção na Immaculate Heart of Mary Chruch (Igreja do Sagrado Coração de Maria) em Balornock, Glasgow, na noite de segunda-feira.

A Glasgow Caledonian University (“Universidade Caledoniana de Glasgow” em tradução livre (N. do T)) demitiu de seu posto de capelão no dia seguinte, alegando que a visão dele estava em desacordo com aquelas da instituição educacional.

A diretora da universidade, professora Pamela Gillies disse: “Depois de uma devida conversa, o padre Mark Morris não retornará ao seu papel na capelania da universidade em setembro.

“A universidade trabalhará com a Arquidiocese de Glasgow para assegurar a provisão continuada do serviço de capelania para os funcionários e estudantes, no nosso Centro de Fé e Crença, quando o novo período começar

“A universidade é fortemente inclusiva e comprometida com a o apoio à igualdade e diversidade no campus.”

No entanto, a sociedade católica da universidade disse que estavam “extremamente desapontados” com a ação. “É francamente repugnante que um padre católico seja demitido de seu posto como capelão católico por meramente reafirmar os ensinamentos da fé católica”, disse a GCU Catholic Community.

“Parece que a Glasgow Caledonian University tem um entendimento muito deformado do que seja “igualdade e diversidade”, pelo qual eles não permitiram qualquer diversidade de opinião que seja.  Estamos muito tristes em ver que as opiniões e crenças dos católicos não são valorizadas ou respeitadas na capelania da universidade”, eles acrescentaram.

“Com toda a caridade, nós insistimos que a universidade reconsidere sua demissão injusta do nosso capelão.”

Em uma breve declaração, a Arquidiocese de Glasgow disse que estava “ciente da decisão da Universidade” e que vai “dar a provisão de apoio de capelania no tempo devido”.

 

Autor: 

(funcionários do Catholic Herald)

19 de julho de 2018

Tradutor: Bruno Menezes

 

Fonte:

http://catholicherald.co.uk/news/2018/07/19/university-chaplain-sacked-after-holding-service-of-reparation-for-gay-pride/

Bruno Menezes

Dom Schneider: Por trás do fenômeno das migrações, existe um plano para mudar a população europeia.

Francesco Boezi

“Il Giornale”

27 de Junho de 2018

 

Um plano para pôr em cheque a Cristandade na Europa. Essa é a visão do bispo do Quirguistão, Athanasius Schneider, que focou nesse e em outros temas que também preocupam bastante a visão da Igreja Católica.

 

Trecho de uma entrevista para “Il Giornale”:

P. Há muitos debates sobre o tema da imigração. Teria a Itália sido abandonada pela União Europeia? A Igreja continua a pedir que nosso país seja “humanitário”.

 

“O fenômeno dessa assim chamada “imigração” representa um plano orquestrado, preparado por um longo tempo pelos poderes internacionais para mudar radicalmente a identidade cristã das populações europeias.  Esses poderes estão usando o enorme potencial moral da Igreja e suas estruturas para alcançar mais eficientemente seus objetivos anti-cristãos e anti-europeus. Com esses objetivos, o próprio conceito de humanismo e mesmo o mandamento cristão da caridade estão sendo abusados.”

P. O que você acha de Matteo Salvini, o Ministro Italiano do Interior?

 

“Eu não conheço muito bem a situação política italiana, por isso não posso dizer muito sobre isso. No entanto, se um governo de uma nação específica da União Europeia tentasse acentuar mais suas próprias identidades soberanas e históricas, culturais e cristãs contra um novo tipo de totalitarismo à lá União Soviética – sendo hoje chamada de União Europeia com sua ideologia inequivocamente maçônica – seria algo a se elogiar.”

Guarda Costeira italiana resgata 220 imigrantes no Mediterrâneo. AFP

P. Alguns prefeitos italianos do Movimento Cinco Estrelas, como Chiara Appendino de Turim, registraram os filhos de casais homossexuais no Cartório. Qual a posição da Igreja Católica em relação a isso?

 

“A Igreja Católica, como qualquer ser-humano com bom senso e razão reta, sempre rejeitou a atividade homossexual. Confiar crianças a esses supostos “casais” homossexuais significa a violação do direito fundamental de qualquer criança: crescer e ser educada por um pai e uma mãe. Confiar crianças em assistência social para supostos “casais” homossexuais, em última análise, representa um abuso moral das crianças — os menores e mais indefesos. Esse fenômeno ficará marcado na história como uma das maiores degradações da civilização. Os que estão hoje lutando contra uma injustiça tão flagrante são os verdadeiros amigos das crianças e heróis de nosso tempo.”

 

H/T : Chiesa e Post Concilio

 

Primeira tradução: Contribuidora, Francesca Romana (rorate-caeli.blogspot.com)

Tradução do inglês para o português: Bruno Menezes.

Bruno Menezes

Católicos e muçulmanos adoram o mesmo Deus? Esclarecendo a “Nostra Aetate”.

Autor: Dave Armstrong

Tradutor: Bruno Menezes

 

As preocupações refletidas nos títulos de meus artigos são frequentemente baseadas em algum grande mal-entendido. Quando a Igreja fala sobre os muçulmanos adorarem o único Deus, diz isso no sentido de que tanto cristãos como muçulmanos são monoteístas. O monoteísmo inclui cristãos, judeus e muçulmanos.

O Concílio Vaticano II, em seu documento “Nostra Aetate” diz:

“Eles [os muçulmanos] adoram a Deus, que é uno, vivo e subsistente, misericordioso e todo-poderoso, o Criador do céu e da terra.”

Na prática do diálogo inter-religioso e do ecumenismo, a Igreja busca construir pontes com aqueles que professam outras crenças definindo pontos em comum. É bom fazer apologética e defender o que se acredita ser a verdade, mas também regozijar-se em um terreno comum (ecumenismo), para que se possa promover a paz e um melhor entendimento mútuo. A Igreja Católica assegura que ambas as coisas são esforços bons, harmoniosos e válidos.

Se você ler atentamente, verá que o concílio não está dizendo que “o Deus muçulmano [Allah] e o Deus cristão são exatamente o mesmo.” De fato, o documento não poderia igualar Allah a Yahweh, porque nós católicos cremos que Deus é uma Trindade (Um Deus em Três Pessoas), e os muçulmanos (assim como os judeus) não creem.

O contexto da afirmação é supremamente importante para determinar o significado desejado. Além do mais, é preciso distinguir duas noções: 1.) Um muçulmano adorando Aquele que ele acredita ser o verdadeiro Deus e 2.) O recipiente da adoração dirigida a Deus, ainda que errôneo em alguns aspectos, sendo o Deus que Ele realmente É.

Fazendo uma analogia, imagine uma criança que foi adotada mas que ainda não sabe disso.  Ele ou ela pode dizer: “Eu sou muito grato por minha mãe ter me dado à luz”. Agora, essa pessoa acha que sua mãe é a mulher que na verdade é sua mãe adotiva. Mas mesmo assim, a atitude de gratidão por ter sido dada à luz é de certa forma “transferida” para a mãe biológica.

Em outras palavras, é a mãe biológica que está verdadeiramente recebendo o elogio, porque a pessoa que o está fazendo direciona isso para aquela que a deu à luz: e essa pessoa é quem ela é, independentemente da criança saber disso ou não. O fato de existir um erro em relação à verdadeira pessoa enquanto mãe biológica não muda a factualidade disso.

Da mesma forma, um muçulmano comprometido está adorando o que ele crê sinceramente ser Deus. Ele está enganado, é claro, em relação à verdadeira definição e à realidade ontológica, mas ele está adorando em comum com os cristãos, na medida em que ele é um monoteísta.

Yahweh está recebendo esse louvor de fato porque Ele é o verdadeiro criador. Nesse sentido o muçulmano está de fato adorando a Deus, mas em uma relativa ignorância.

Eu acredito que Deus (ou seja, Yahweh!) leva isso em consideração, e que a pessoa recebe algum crédito pelo que ele sabe e Quem ele quer adorar, embora ele esteja errado em sua teologia.

A ideia é que as palavras têm que ser lidas em contexto e concordância com uma visão de mundo global. Ninguém sustenta seriamente que a Igreja Católica parou de acreditar na Trindade. Portanto, quando a Igreja diz que muçulmanos e judeus adoram o Deus único, isso não significa, de maneira alguma, que os “judeus e muçulmanos são trinitários”.

Assim sendo, isso deve significar que “muçulmanos e judeus são também monoteístas, como nós somos, e adoram o Deus único.” O contexto (e o propósito do escritor) são supremamente importantes.

Soa muito melhor, e por natureza infinitamente mais positivo dizer:

“Católicos e muçulmanos ambos adoram o Deus único de Abraão” etc., do que dizer “Nós cremos que muçulmanos adoram um falso Deus, porque Allah não é trinitário; portanto, Ele não existe de maneira alguma, de forma que os muçulmanos adoram uma invenção da imaginação deles; o único Deus verdadeiro é o Yahweh trinitário da Bíblia.”

Isso acabaria com o propósito ecumênico e diplomático, não acham? O propósito é precisamente encontrar coisas em comum (o monoteísmo sendo uma). A linguagem é necessariamente diferente, porque o propósito e os objetivos são diferentes.

*Por visão de mundo global, entenda uma visão “inteira”, em contraposição a uma visão parcial; e não algo relacionada à globalização, por exemplo (N. do T).

 

 

Bruno Menezes

As Cinco Dubia Respondidas pela própria Amoris Laetitia

Foto: Stefano Rellandini/Reuters

 

Por Robert Fastiggi, Ph.D., Professor de Teologia Sistemática no Sacred Heart Major Seminary (“Seminário Maior do Sagrado Coração” em tradução livre).

Tradução: Bruno Menezes.

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Introdução.

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Há cerca de 14 anos, eu tive a honra de estar presente numa aula dada pelo então juiz da Suprema Corte de Justiça Antonin Scalia. A aula foi patrocinada pela Ave Maria School of Law (“Faculdade de Direito Ave Maria”, em tradução livre), que na época ficava em Ann Arbor, Michigan. O juiz Scalia falou sobre como interpretar a Constituição dos Estados Unidos, dando um insight que permaneceu comigo. Para poder interpretar adequadamente a Constituição, ele observou, é importante prestar atenção não só ao que o texto diz, mas também ao que ele não diz. O que o então juiz queria dizer era que não deveríamos ler direitos na Constituição que não estivessem lá.

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Este mês de abril marca o segundo aniversário da aparição pública da exortação pós-sinodal do Papa Francisco, Amoris Laetitia, oficialmente publicada em 19 de março de 2016. Provavelmente nenhuma reação recebeu tanta atenção quanto as cinco dubia (dúvidas ou questões) entregues ao Papa Francisco por quadro Cardeais no dia 19 de setembro de 2016, e publicadas dois meses depois. E não tenho dúvidas de que os quatro prelados — cardeal Walter Brandmüller, cardeal Raymond L. Burke, o então cardeal Carlo Caffarra, e o então cardeal Joachim Meisner — tenham entregue suas dubia com a mais sincera das intenções.  Se, no entanto, nós lermos as dubia seguindo a abordagem do juíz Scalia em relação à constituição americana, não será muito difícil respondê-las.  A chave é prestar atenção não só ao que a exortação diz, mas também ao que não diz. Com essa hermenêutica em mente, eu apresentarei minhas respostas às dubia baseadas na própria Amoris Laetitia [AL].

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As Cinco Dubia:

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  1. É perguntado se, segundo as afirmações da Amoris Laetitia (300-305), agora se tornou possível dar absolvição no sacramento da penitência e assim admitir à santa Comunhão uma pessoa que, enquanto unida por uma união conjugal válida, vive junto com uma pessoa diferente more uxorio* sem cumprir as condições fornecidas pela Familiaris Consortio, 84, e subsequentemente reafirmadas pela Reconciliatio et Paenitentia, 34, e Sacramentum Caritatis, 29. Poderia a expressão “em certos casos” encontrada na Nota 351 (305) da exortação Amoris Laetitia ser aplicada a pessoas divorciadas que estão em uma nova união e que continuam a viver more uxorio?

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Resposta:  Não.  Na AL não há mudanças em relação aos requerimentos de padres e penitentes no que diz respeito ao Sacramento da Penitência.  Em AL, 3 o Papa Francisco indica que a exortação não representa uma intervenção na parte do magisterium para introduzir novos ensinamentos em questões “doutrinais, morais ou pastorais”. Em nenhum lugar da AL o papa Francisco dá permissão aos católicos divorciados e civilmente “recasados” para receber a Santa Comunhão que não estejam observando a continência.

 

  1. Depois da publicação da exortação pós-sinodal Amoris Laetitia (304), será ainda preciso considerar como válido o ensinamento da encíclica Veritatis Splendor, 79 de São João Paulo II, baseada nas sagradas Escrituras e na Tradição da igreja, sobre a existência de normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculativas sem exceções?

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Resposta: Sim. Em AL, 304, o Papa Francisco deixa claro que “regras gerais estabeleceram um bem que jamais pode ser desconsiderado ou negligenciado.” Em AL, 311 ele também reafirma a necessidade de assegurar “a integridade do ensinamento moral da Igreja” e ter um cuidado especial “em enfatizar e encorajar os valores mais altos e mais centrais do Evangelho.”

 

  1. Depois da Amoris Laetitia (301), ainda é possível afirmar que uma pessoa que vive habitualmente em contradição com um mandamento da lei de Deus, como por exemplo aquele que proíbe o adultério (Mateus 19:3-9), se encontra numa situação objetiva de pecado grave habitual (Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, “Declaração,” 24 de junho de 2000)?

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Resposta: Sim: O papa Francico deixa claro em AL, 301 que “as exigências do Evangelho” não estão sendo comprometidas. Em vez disso, ele está meramente apontando que em alguns casos há fatores mitigantes que podem afetar a culpabilidade (que é algo já afirmado no Catecismo da Igreja Católica, 2352).

 

  1. Depois das afirmações da Amoris Laetitia (302) sobre “circunstâncias que mitigam a responsabilidade moral,” ainda é preciso considerar válido o ensinamento da encíclica de São João Paulo II Veritatis Splendor, 81, baseada na sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, de acordo com a qual “circunstâncias ou intenções jamais podem transformar um ato intrinsecamente mau em virtude de seu objeto num ato ‘subjetivamente’ bom ou defensável como escolha”?

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Resposta: Sim. O Papa Francisco nunca diz que as circunstâncias ou intenções transformam um ato intrinsecamente mau numa escolha boa e defensável.  Ele meramente reconhece que pastores de almas precisam fazer um exercício de discernimento ao julgar a culpabilidade das pessoas em diferentes situações.

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  1. Depois da Amoris Laetitia (303), ainda é preciso considerar como válido o ensinamento da encíclica Veritatis Splendor, 56 de São João Paulo II, baseado nas sagradas Escrituras e na Tradição da Igreja, que exclui a interpretação criativa do papel da consciência, e enfatiza que a consciência não pode jamais autorizar ou legitimar exceções a normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus em virtude de seu objeto?

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Resposta: Sim. Em AL 303, o Papa Francisco nunca dá permissão para engajar em atos intrinsecamente maus.  Ele meramente assinala que a consciência pode reconhecer que Deus está chamando alguém para fazer uma oferta ou sacrifício que vai em direção ao bem, mesmo que isso ainda não seja o totalmente esperado. Em AL, 305, ele observa que tais “pequenos passos” na direção correta são muitas vezes “mais agradáveis a Deus do que uma vida que externamente parece estar em ordem, mas que percorre o dia sem confrontar grandes dificuldades.”

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Essas são minhas respostas às cinco dubia.  Eu sei que algumas pessoas dirão que eu estou lendo a Amoris Laetitia de uma maneira extremamente ingênua e simplista, ou que eu não estou sendo crítico o suficiente. Eu discordo. Eu estou respondendo às dubia baseado no que a exortação diz e o que não diz, de acordo com a maneira rigorosa como o juiz Scalia lê a Constituição americana. Eu estou ciente de que pessoas leram coisas na Amoris Laetitia que não estão lá, e eu também estou ciente de que outros afirmam que o Papa Francisco está fazendo mudanças no ensinamento moral católico, de uma forma indireta através de uma ambiguidade calculada. Desde que as dubia, no entanto, apelam para seções específicas da exortação, a única forma adequada de responder é vendo o que essas seções dizem e o que elas não dizem, e olhar outras passagens da exortação que clareiam ainda mais as intenções do Santo Padre. Outros, sem dúvida, apelarão para as Diretrizes dos Bispos da região de Buenos Aires como prova de que o Papa Francisco deseja permitir a Sagrada Comunhão para católicos divorciados e civilmente “recasados” que não estão vivendo em continência. Tal prova, contudo, não é apresentada, pois o nº 6 dessas Diretrizes meramente abre a “possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia” para católicos vivendo em circunstâncias complexas, onde a declaração de nulidade não pôde ser obtida.

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Já que nenhuma mudança foi feita pelo Sacramento da Reconciliação seja pelo Papa Francisco ou pelos bispos de Buenos Ares, devemos assumir que aqueles que confessam seus pecados também manifestam um “propósito de se emendar” como exigido pelo cânon 987 do CDC. Sugerir que nenhum propósito de se emendar é exigido é ler nas Diretrizes de Buenos Aires algo que não está lá.  Alguns podem objetar que as Diretrizes silenciam sobre o propósito de se emendar, e portanto, não podemos supor que seja exigido. Tal argumento baseado no silêncio, no entanto, é extremamente fraco. É tão fraco quanto o argumento de que o Papa Francisco, na nota de rodapé 351 da AL, esteja dando permissão aos católicos divorciados e civilmente “recasados” para receber a Santa Comunhão sem viver em continência. A nota de rodapé 351, contudo, diz apenas que — para aqueles vivendo em situações irregulares — a assistência oferecida pela Igreja pode, em certos casos, “incluir a ajuda dos sacramentos.” Já que não foi feita qualquer mudança na doutrina ou disciplina dos sacramentos pelo Papa Francisco, devemos assumir — tanto por justiça quanto por caridade — que a ajuda dos sacramentos obedece à doutrina e disciplina da Igreja.

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A edição do dia 15 de fevereiro de 2018 de La Civilità Cattolica contém uma transcrição da conversa que o Papa Francisco teve com alguns jesuítas no dia 16 de janeiro de 2018 em Santiago, Chile. Nessa conversa, o Papa Francisco afirma: “Se você der uma olhada no panorama das reações à Amoris Laetitia, você verá que as críticas mais fortes da exortação são contra o oitavo capítulo: ‘Pessoas divorciadas podem ou não receber a comunhão?’ Mas a Amoris Laetitia vai numa direção completamente diferente; ela não entra nessas distinções. Ela levanta a questão do discernimento. Isso já estava no coração da grande moral clássica tomista.  Então a contribuição que eu quero da Sociedade é ajudar a Igreja a crescer em discernimento.”

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Eu acho que devemos acreditar nas palavras do Santo Padre. Em Amoris Laetitia, ele não entra nas distinções em relação a quem pode receber a Santa Comunhão. Em vez disso, ele deseja que uma atenção maior seja dada ao discernimento. Ele deixou absolutamente claro que “o discernimento não pode jamais prescindir das exigências do Evangelho da verdade e da caridade, como propostas pela Igreja” (AL 300). Essas palavras mostram que o Papa Francisco não pretende fazer qualquer mudança na doutrina ou disciplina católicas, mas apenas uma mudança na abordagem pastoral em relação àqueles que falharam em viver de acordo com as exigências do Evangelho. Como observou o Cardeal Müller, a única interpretação apropriada da Amoris Laetitia é a interpretação ortodoxa, ou seja, uma interpretação “na linha das sagradas Escrituras, Tradição apostólica e decisões definitivas do magisterium papal e episcopal, que é contínuo até agora” (Entrevista do National Catholic Register com Edward Pentin, 9 de outubro de 2018).

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Eu sei que muita atenção foi dada às cinco dubia dos quatro cardeais, e algumas pessoas estão chateadas e com raiva porque o Papa Francisco não os respondeu. Eu não posso falar pelo Santo Padre, mas ele talvez não tenha respondido por isso não ser algo necessário. Se fizermos um esforço, podemos encontrar as respostas na própria Amoris Laetitia — no que ela diz e no que ela não diz.

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*Concubinato em que os concubinos convivem como se casados fossem. (N. Do T.)

Bruno Menezes